Quem é gorda de verdade?

Quem é capaz de dizer o que é ser uma gorda de verdade? Quem tem o direito de dizer até onde alguém pode se encaixar em alguma categoria, alguma luta ou até mesmo em alguma dor? Se você pensou baixinho “ninguém”, então você tem bom senso.

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É quase que doloroso pensar que dentro do universo das gordas exista tanta competição interna. Somos massacradas pela sociedade todos os dias, em várias áreas do cotidiano, nas mais diversas situações. Tudo isso por sermos gordas. Dentro do que se imagina plausível, acredito que discussões e desconstruções sobre esse universo, seja algo totalmente saudável. As vezes, alertar a coleguinha gorda de que ela ta falando merda é um ato de puro amor e bondade em relação a mesma. Ninguém nasce sabendo tudo, e as vezes a gente nem se da conta de que tá sendo babaca. O que me  intriga é: Qual o motivo de nos categorizarmos tanto dentro dessa minoria já tão judiada? Existe gorda e existe magra, mas dentro dessas duas derradeiras divisões ainda existem muitos tipos de corpos. Existe a gorda de quadril largo, cintura fina, sem peito. Existe a gorda com barriga, sem bunda, com peitão enorme. Existem gordas que mais parecem um violão, de tão acentuadas e definidas suas curvas. Existem gordas 48, existem gordas 64 ou mais.  Existem gordas 44 na parte de baixo, e 52 na parte de cima. O contrário também. Nós somos mulheres diferentes dentro das nossas semelhanças. O mesmo acontece pras meninas magras. Tentar dizer que a gorda padrão modelo plus-size (aquela com cintura fina e pouca barriga) é uma mulher “de mentira” faz de você uma pessoa incoerente. E digo mais, uma pessoa cruel também. Somos mulheres sim, temos dificuldades diferentes, mas somos todas de verdade.

Isso não exclui o fato de que algumas gordas, em geral, sofrem mais que outras. E não, não estamos em uma olimpíada de quem se ferra mais nessa vida, mas sim, sendo coerentes em relação a fatos. A gorda 48, ainda que com dificuldade, consegue se vestir. Nós podemos pagar caro, demorar meses pra achar algo mais ou menos, básico, bem feinho, mas nós achamos. A gorda maior que  64 não encontra o básico. A gorda 64 ou mais não existe pra quase ninguém, ela sofre pra passar em roletas, ela sofre pra conseguir sentar no transporte público, ela sofre pra conseguir emprego. Ela sofre mais, você entendendo ou não. E ela é de verdade também, ela existe, só falta que percebam. A reclamação dessas mulheres, na maioria das vezes é que elas não existe representatividade em relação a elas. A única gorda representada é sim a “padrão modelo” e isso precisa mudar imediatamente. O foco tem que ser esse, a elevação e valorização dessa mulher, mas pra isso, não podemos rebaixar a próxima, por mais “privilegiada” que ela pareça.

Não importa que tipo de gorda você é. Que tipo de mulher você espera ser, que tipo de mulher você enxerga no espelho. Entender que o mundo não é nosso umbigo e que nossas dificuldades andam paralelas a dificuldades alheias, é entender que o próximo existe, que o próximo é real, que o próximo é alguém que devemos respeitar. Se falando em minoria, quando nós finalmente nos unirmos, nós vamos mudar o mundo.

Sejamos VERDADEIRAMENTE irmãs! <3

#BeijoDaGlai

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